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quinta-feira, 9 de maio de 2019

Por que o dance bombou tão rápido quanto entrou em decadência no Brasil?

O cantor Kasino se apresenta na terceira edição do Planet Pop Festival, em 2006.

Quando eu tinha por volta de oito anos de idade, minha mãe, cantora profissional, gravou alguns singles para uma gravadora chamada Building Records. Eram versões mais pop, sintéticas e modernas de clássicos como "How Do I Live" (1997), da cantora country LeAnn Rimes, e "(They Long To Be) Close To You", famosa na interpretação do The Carpenters em 1970. Ela gravava sob o nome de Klauss, e as músicas chegaram a ficar grandes no nível de eu escutá-las algumas vezes na rádio ou no clube da cidade em que eu morava. Klauss chegou até a se apresentar no Planet Pop Festival para alguns milhares de pessoas, e o retrato que tiraram dela neste dia está num porta-retrato no rack da nossa sala até hoje.

Alguns anos mais tarde, quando estava no ensino médio, lembro de uns amigos especialistas em memes terem me mostrado um vídeo que permanece um dos maiores marcos para a internet brasileira, mais de dez anos depois do acontecimento original. O grande evento Kasino no Sabadaço, que apesar dos gritos de Gilberto Barros clamando que o cantor era um "DESTAQUE I-N-T-E-R-N-A-C-I-O-N-A-L" se tratava da apresentação de um cantor brasileiro de dance music no programa do Leão, que acabou viralizando pela empolgação desmedida do apresentador em seus gritos insistentes de "AE KASINÃO!" e "AS BALADAS".
Em suas épocas respectivas, os dois acontecimentos funcionaram totalmente desprovidos de contexto na minha cabeça; levaram alguns anos pra que eu começasse a perceber que, na verdade, Klauss e Kasino pertenciam a um mesmo universo pop e cafona dos anos 2000 no Brasil: o chamado eurodance.

Durante os primeiros anos após a virada do século, as pistas paulistanas eram dominadas pela importação de hits europeus (depois, pela fabricação de sucessos nacionais) que misturavam batidas do house e trance em sua potência mais comercial possível e jogavam por cima letras quase sempre mal traduzidas em inglês.

O eurodance, simplesmente dance, como ficou conhecido por aqui, ficou grande o bastante para que seus artistas frequentassem programas de auditório, dominassem as rádios e até ganhassem seu próprio festival, o Planet Pop Festival, cuja primeira edição completa 15 anos em agosto de 2019. O ritmo está ligado, ainda, ao começo da popularização massificada da música eletrônica no Brasil.
As cantoras Klauss e Dalimas cantam na edição de 2005 do Planet Pop Festival

Como é contado por Erika Palomino no livro Babado Forte, a história do underground eletrônico paulistano começa nos anos 70 e 80 com as discotecas e desemboca anos mais tarde em casas como Madame Satã, que dá origem à Nation, ao qual se seguiu o Massivo e assim por diante. Nesses locais, o som que pegava era o techno e house que começavam a ganhar tração nos Estados Unidos. Mas eles ainda eram exceção. 

"Ninguém conhecia [esses gêneros], praticamente. Eram só alguns DJs que tinham acesso e que tocavam, e não dava pra tocar em todo lugar", conta Camilo Rocha, jornalista e pesquisador de música eletrônica que discotecou na noite paulistana a partir de 1987. "Aquelas casas grandes da zona leste - Toco, Overnight, Contramão - que foram super importantes nesse cenário de dance music até, eram bem farofa na época, bem mais pop. Tocava muito New Order, Madonna, Pet Shop Boys, Erasure, Information Society".

Ao fim da década de 1980, porém, essas casas já começavam a tocar sons vindos de uma linhagem de discos europeus que pegavam elementos dessa música eletrônica underground, principalmente o house, e incorporam isso num som muito mais comercial. O sucesso do gênero foi crescendo exponencialmente: o famoso termo "poperô", por exemplo, surgiu do clássico "Pump Up the Jam" (1989) do grupo belga Technotronic, enquanto a brasileira Olga Maria de Souza, ou Corona, ficou em top 10 de paradas ao redor do planeta com a canção "The Rhythm of the Night" em 1993.
O sucesso dos sons chegou aos ouvidos das distribuidoras brasileiras, que passou a incorporar esses artistas em seus catálogos. Nilton Ribeiro, que em 1991 montou a gravadora Paradoxx Music junto a Silvio Arnaldo, conta que frequentou por alguns anos o festival francês Midem (Marché International du Disque et de l'Edition Musicale), grande encontro anual de empresas ligadas à música, à procura de licenciamento para as faixas que buscava importar. Ele também destaca a importância que a rádio Jovem Pan e as coletâneas As 7 Melhores da Jovem Pan, lançadas pela Paradoxx, tiveram na disseminação do gênero nesta época.

"A Jovem Pan foi uma das pioneiras a entrar na dance music, tinha espaço pra tocar. Meu sócio era muito ligado à rádio e ao Tutinha, e isso foi estopim para o grande boom da gravadora. [As coletâneas] chegavam a vender milhão de cópias".

A popularização do som rendeu até algumas tentativas de iniciar projetos de dance music no Brasil. O produtor Gui Boratto, junto a seu irmão Jorge e a cantora Patrícia Coelho, criou em 1994 o grupo Sect, que conseguiu relativo sucesso com as faixas "Follow You (Crazy for You)" e "I Can Stop Loving You"; a dupla Ricco Robit, formada por Tibor Yuzo e Ricardo Coppini, lançou com a cantora Anny as faixas "I Don't Let You Go" e "Somebody" em 1997 - ambos são cantados em inglês apontados como dois dos primeiros projetos bem-sucedidos de música eletrônica no Brasil.
O produtores de Ricco Robit na capa da revista Night World, publicação que noticiava a cena

"Eu não conseguia conceber a ideia de que a gente era só consumidor", fala Yuzo, que era DJ desde 1987 e começou a produzir quando comprou uma Roland TR-707. "Eu acreditava no mercado e queria fazer alguma coisa pela cena. Mas na época os meus amigos, os outros DJs, e até os caras de gravadora não acreditavam muito. Ninguém tocava. Faziam de conta que o que eu estava fazendo não existia".

Foi também nessa época que o público frequentador de baladas eletrônicas, com a expansão do dance, começou a mudar. Palomino descreve esse momento como a ascensão do "hétero-techno", que trouxe "um público que inclui patricinhas desgovernadas e bofes lutadores de jiu-jitsu, brigas e confusões e críticas às bichas mais montadas". Do meio para o final da década de 1990, porém, com a ascensão de outros ritmos como o drum'n'bass e o próprio techno, o movimento dance acabou esfriando.

Não levou muito tempo, porém, para que na década seguinte uma nova geração de artistas se influenciasse pelo trance que surgiu das cenas inglesas new-age e criasse um som bem mais melódico, menos caracterizado pelas batidas marcadas do house, que puxaria o eurodance de volta a um lugar de destaque. Na primeira metade dos anos 2000, artistas como as belgas Ian Van Dahl e Lasgo e o italiano Magic Box lançaram hits inquestionáveis e reacenderam a faísca do eurodance no Brasil, desta vez começando um incêndio maior.
Em 1999, Tibor Yuzo, que já trabalhava como produtor musical, foi contratado pela gravadora
Building Records para começar a produzir eurodance com artistas brasileiros - era mais
barato, afinal, fazer música aqui do que importar discos e faixas dos artistas europeus. O que começou com pequenos testes de singles e artistas se tornou um mercado gigante para a gravadora: em algum momento, Yuzo afirma, a dance music era 80% do market share da Building Records. "Chegou ao ponto do dono da gravadora me pedir uma música sexta pra eu entregar na segunda e ir terça pra fábrica. Já não havia mais dúvida, era certeza de que a música iria tocar. Quando ia para a balada, chegava a ouvir três produções minhas tocarem numa mesma noite".

Paulo Pringles, na época coordenador de programação musical na Jovem Pan, curador de diversas coletâneas da rádio e DJ de grandes clubes na Vila Olímpia, confirma a popularidade das produções de eurodance brasileiras e gringas nessa época. "O Alain [Chehaibar, dono da Building Records] quis investir, e muitos artistas ficaram muito fortes. Era difícil você ver um artista de dance, nessa época, que a galera curtia tanto quanto um de pop. E ele conseguiu fazer isso", diz.

Entre esses artistas estava Kasino, cujo single "Can't Get Over" chegou a fazer parte da trilha
sonora da novela da Globo América e esteve entre as mais tocadas no Brasil em 2005 e 2006.
Apesar do sucesso e polêmicas, os artistas envolvidos no projeto parecem querer se distanciar cada vez mais de Kasino - Fher Cassini, vocalista, e Ian Duarte, produtor, rejeitaram o pedido de entrevista sobre o grupo para esta reportagem. Outro projeto de sucesso foi a cantora Dalimas, principalmente com o single "Livin' On a Prayer" (sim, uma versão de Bon Jovi).
Todo esse sucesso culminou na vinda de Lasgo para o Brasil em 2003, com abertura de Dalimas e Adrianne Garcia, outro projeto nacional produzido pela Building. O sucesso do show produzido pela gravadora foi tão amplo que deu a Yuzo a ideia de iniciar o Planet Pop Festival, cuja primeira edição aconteceu em agosto do ano seguinte com dois dias esgotados na Via Funchal e apresentações de, novamente, Lasgo e Dalimas, com a adição de Ian Van Dahl no lineup.

"O objetivo do Planet Pop era fomentar, trazer conteúdo para a comunidade que gostava de dance music. Gerar vídeos, assuntos para as pessoas que frequentavam", conta o produtor. A meta parece ter sido alcançada: de 2004 a 2006, o festival teve quase 20 mil espectadores por edição. O Planet Pop se tornou um marco para tanto os artistas quanto o público, que até hoje sobe vídeos das apresentações no YouTube e faz comentários nostálgicos sobre o festival.
Da esquerda para a direita, Ian Van Dahl, Magic Box, DJ Paulo Pringles, DJ Ross e Erika

"Quando gravei a 'Livin' On a Prayer', não esperava essa grande repercussão. Só me dei conta do tamanho quando cantei na abertura do Planet Pop Festival em 2004. Foi uma grande emoção", diz Dalimas. Paulo Pringles, que se apresentou na edição de 2006 num back to back com o DJ Tom Hopkins, complementa sobre a importância do festival: "Foi um festival pioneiro no Brasil. No mundo da música eletrônica 'fubá', comercial, foi o primeiro. Até hoje não existem muitos grandes festivais de música eletrônica, tirando as raves, no Brasil que não sejam importados".

Como todo gênero que desfruta de uma ascendência meteórica, porém, o dance também sumiu das rádios e baladas tão rápido quanto tinha entrado. Ribeiro e Yuzo apontam motivos parecidos para os fins da Paradoxx e Building Records, notando como a pirataria e a disseminação de música pela internet teve um impacto não nos grandes impérios da indústria musical, mas nas pequenas gravadoras. Com a falência das menores, também, as grandes começaram a comprar seus catálogos de dance music, que nesta época já representava apenas uma pequena porcentagem do mercado de música pop.
Público vibra com apresentação Planet Pop Festival, maior evento do gênero eletrônico à época

Os efeitos e heranças do eurodance, porém, ainda são muito presentes para os que viveram a época. Se em seu berço europeu o som inspirou o que conhecemos hoje por EDM com artistas como David Guetta, Tiësto e Armin van Buuren, além da ascensão de festivais gigantescos como Tomorrowland e Ultra, no Brasil as consequências do sucesso do gênero também afetaram a cena de música eletrônica diretamente. "É a teoria da porta de entrada pra portas mais pesadas, sem dúvidas [risos]. Muitos DJs ou pessoas que passaram a frequentar festas mais underground de techno e house diziam que o primeiro contato com música eletrônica foi ouvindo dance na rádio", fala Camilo Rocha.

Para Yuzo, a música pop sintética brasileira deve muito ao eurodance. "Hoje temos produções nacionais não só cantadas em inglês, mas finalmente chegamos no momento em que temos música eletrônica cantada na nossa língua", diz. "Muitos produtores foram, depois do dance, produzir pop rock, funk. A influência da dance music não ficou restrita à dance music em si, mas foi uma grande incentivadora da produção musical nacional como um todo".

Fonte: Amanda Cavalcanti (Colaboração para o TAB, em São Paulo)

terça-feira, 31 de julho de 2018

Como surgiu "Ragatanga", o maior hit de 2000

Alexandre Schiavo (Ex-Vice Presidente da Sony)

Vamos voltar um pouco no tempo: o ano é 2001. O mercado fonográfico passa por sua pior crise. Há pirataria física e uma ameaça real de a Sony fechar no Brasil, por causa dos resultados negativos: cinco anos consecutivos de prejuízo. Isso tudo quando cheguei aqui, transferido de Miami. Então eu tenho uma reunião no SBT, onde me falam do Popstars, um programa que seria lançado no ano seguinte, com o objetivo de montar um grupo pop, que veio a ser o Rouge.
Aquilo me deu um clique muito grande. “É isso. Isso aqui tem umagrande chance de ser histórico”, pensei. Só havia um problema: tudo já 
estava muito encaminhado, praticamente fechado com a gravadora BMG, na época minha concorrente.
Fiz o seguinte: inspirei-me no filme Do que as mulheres gostam, recém-lançado, com o Mel Gibson. O personagem, um publicitário, vai para casa e compra um vinho, passa batom, se depila, vive um monte de experiências para sentir o universo feminino. Fiz a mesma coisa. Quer dizer, parecido. Em vez do universo feminino, entrei no universo
pop. Comprei duas garrafas de vinho, comprei um charuto — que fumei poucas vezes na vida — e fui para casa em busca da epifania. Escrevi um plano de arketing no formato do Advertising nature, um revistão publicitário da época. E Elisabetta, a principal diretora do projeto, embarcaria no avião para a Itália no dia seguinte. Consegui uma
pessoa para entregar esse plano para ela na sala de embarque, de última hora, impresso no formato de revista. Ficou acertada uma reunião para quando ela voltasse.
Disse a ela que tentaria trazer artistas internacionais, Shakira, Ricky Martin... Claro que eu não podia prometer nada, na Sony eles nem sabiam ainda que eu estava fazendo essa negociação. Daí a Elisabetta 
respondeu: “A gente vai fazer com vocês, só que tem uma condição... queremos você como jurado do programa”. Imagina, quase caí de cara! Nunca tinha feito um programa de televisão e, ainda nessa época muito confusa, com crise no mercado, eu tinha de botar a companhia nos eixos de novo. Um programa de televisão me consumiria, como me consumiu, por cinco meses em São Paulo. Era praticamente a semana inteira de gravações. Como eu mantive minha função de vice-presidente de marketing, tinha de trabalhar em dobro. O programa me consumia para caramba, tanto de trabalho físico quanto emocional.
Lembro que as primeiras audiências eram parte de uma convocatória geral, no Sambódromo de São Paulo. Umas 2 a 3 mil candidatas em fileiras de cinco ou seis, e a gente passava, os três jurados, ouvindo. Ali a gente já anotava quem iria para a próxima etapa. Ver aquelas caras todas, aquela esperança, aquela ansiedade, gente passando mal.
Aquelas pessoas todas cantando em coro, em uníssono, uma mesma canção. Enfim, foi muito forte. Havia histórias incríveis. Uma menina tinha chegado lá com o dinheiro só para a passagem de ida de ônibus, vinda de uma comunidade do Rio de Janeiro. Eu estava ali exposto àquelas pessoas, cada uma com um sonho.
As etapas de eliminação do programa também foram uma experiência enriquecedora. Claro que as Spice Girls eram uma referência, mas a gente sabia que tinha de fazer uma coisa com um tempero nacional. Por isso cada integrante do Rouge tem um estilo, um perfil. Havia também a questão da harmonização dessas vozes, não podiam ser vozes exatamente iguais. Primeiro: tinha de ter talento, mandar um à capela e emocionar. Não dava para ser um fake, não podia haver uma que cantasse mais ou menos, essas vozes tinham de dar certo.

Rouge com 15 anos de carreira

Para as músicas, eu tinha um contato da Sony na Escandinávia, que era quem fazia todos os hits dessas bands, “boys” ou “girls”. Comecei a trazer umas músicas para o Rick Bonadio traduzir, outras ele mesmo fazia, a gente também pedia muito que as meninas fizessem alguma coisa autoral. A coisa foi ficando muito bacana, músicas legais, só que… não havia um hit.
Um dia ligou minha ex-chefe, vice-presidente de marketing da regional da Sony em Miami. E falou: “Alex, a gente tem uma situação aqui, uma música de três meninas, o pai delas é assinado com a companhia na Espanha… Ele é o autor. Temos de lançar isso no Brasil, mas tem de usar o original”. Escutei a música: “Acererrê, rá, tanananana...”, um trava-língua incompreensível. Era muito interessante, mas um problema. Pensei: como é que vou fazer?
Não tem onde tocar isso aqui, com três meninas da Espanha que ninguém conhece, está tudo em espanhol, ninguém vai entender. A única coisa que me ocorreu foi tentar vender para alguma marca de ketchup, para fazer uma campanha. Afinal, era “The ketchup song”. Liguei para o Dody Sirena, que é meu amigo, empresário do Roberto Carlos: “Dody, olha essa música, você que tem contato com o mercado publicitário... vê o que consegue fazer”.
Em paralelo, a gente levando o disco das rouges aqui. Todo mundo na Sony achava que eu estava morto. Ninguém acreditava no projeto. E a Globo lançou, ao mesmo tempo, a Operação triunfo, um formato da Espanha, muito parecido com o Popstars. Passavam o programa no domingo, para a gente brigar pela audiência... As pessoas estavam preocupadas comigo. Eu ouvia: Poxa, tinha de estar mais focado na empresa, está gastando muito tempo com isso, fica muito tempo em São Paulo, blá-blá-blá. E o “acererrê” na minha cabeça. Eu chegava à companhia, na famosa reunião de marketing de segunda-feira, perguntava quem tinha visto o programa. Ninguém via o programa. Ninguém. Eu tinha de pedir para alguém gravar o programa, depois fazia todo mundo assistir. Todo mundo me olhava como morto. “O Schiavo se queimou. Deu mal. Acabou.” E o “acererrê” na minha cabeça.
O presidente da empresa na América Latina, um americano, Frank Welzer, me ligou: “Como está indo o projeto?”. Falei: “Frank, para mim, o que vai fazer esse grupo estourar, o grande diferencial, vai ser essa música. Eu preciso dessa música. Sei que existe uma situação política, que tem de lançar como a original, mas eu preciso dessa música”. É muito difícil você detectar um hit assim. Nunca me arrisquei em minha carreira, 25 anos de música, a escutar uma coisa e dizer: “Isto aqui é um hit”. Mas umas músicas são muito claras, não é? Esse foi um dos casos. O trava-língua era um chiclete, não saía da cabeça! Logo depois do Rouge veio o Br’oz: “Sim! Sim! Sim! Esse amor é tão profundo, você é minha prometida, eu vou gritar pra todo mundo!”. Uma versão mais animada que fizemos para “Fruta fresca”, do Carlos Vives. Nossa, foi um hitaço também, mas os meninos não chegaram a vender tanto quanto as rouges. Outro hit claro foi a música do Roberto Carlos: “Esse cara sou eu”. Acompanho o Roberto e trabalho com ele há anos. Quando tocou essa música, eu pensei: “É aquela música que a gente está esperando há anos o Roberto fazer!”.
Bom, de volta a 2001, cheguei com uma gravação de “Ragatanga” ao estúdio do Rick Bonadio, já gravando o final do programa, as meninas com a gente. No meio de uma pausa, falei: “Rick, põe essa música aqui, por favor”. Elas ficaram enlouquecidas. Elas nunca tinham escutado e, já da primeira vez, começaram a cantar e a fazer uma coreografia, de cara. Como num passe de mágica, elas começaram a cantar... E eu só repetindo: “Mas que é isso?! Que é isso?!”.
A Elisabetta, a diretora, entrou e me deu um esporro: “Como é que você para tudo e põe essa música? Que música é essa? Não tem nada
a ver!”. Aí, o Rick: “Schiavo, que p... de música maluca”. Nunca me esqueci disso, o Rick assim para mim: “Alex, mas essa música não tem nada a ver com o grupo, não tem nada a ver com o disco. E também não tem um toque autoral delas. Então, a gente tem de realmente arranjar esse repertório”. Falei: “Que grupo? Que disco? O álbum ainda não foi lançado para o mercado! As pessoas nem sabem quem é o Rouge, ainda! É o que a gente quiser que seja”.
Fizeram com que eu viajasse até a Argentina, até a sede da produtora original do programa, para sentar com o chefe da televisão argentina, que é um gentleman, em um escritório maravilhoso em Puerto Madero. Sentei ali com ele, mostrei a música. Ele ouviu e disse, com voz grave:
“Quem conhece seu mercado é você. Se você acredita, então, ok. Você está convencido?”. Respondi que estava convencido de que essa música era o que podia fazer diferença. Aí eu voltei, música aprovada, as meninas enlouquecidas. Mas os outros não queriam lançar como single. Como primeira música de trabalho lançamos uma balada, que era mais o que o Rick queria: “Não dá para resistir ao seu amor, nanana”. Eu já sabia, intuitivamente, que aquela não ia fazer diferença. Então já mandei gravar os dois videoclipes ao mesmo tempo: o da baladinha e o da “Ragatanga”. Dois dias de gravação, tudo ao mesmo tempo.
Mandei a baladinha para o pessoal de rádio. Aquela execução fria. Realmente, saiu a música, foi superbem, mas durou menos de duas semanas. As meninas estavam em vários programas no SBT, teve um boomzinho. Mas, para quem vendia mais de 100 mil, não era suficiente, e aquilo ia vender de 30 a 40 mil, nem pagava o investimento. A música começou a cair. Eu era dado como morto. Hora da última cartada na manga... vamos com “Ragatanga”.
Para sair com “Ragatanga”, a rádio mais forte era a Jovem Pan, com o temível — todo mundo sabia dentro do mercado — Tutinha, Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, dono da rádio. Fui lá ter uma reunião com o homem. Cheguei no Tutinha já com o remix pronto, porque sabia que ele pediria o remix. Ele disse que era uma música difícil, e eu falei: “Está aqui o remix”. Aí ele: “Vou tocar esse negócio uma semana, duas... depois vou tirar esse treco daqui!”. Tocou naquelas duas semanas e se alastrou para o Brasil inteiro. Num negócio que estava vendendo 30 mil, chegava o pessoal de vendas dizendo: “Tenho mais 50 de pedido... 50 mil”. Passavam quatro dias: “Não são mais 50, são 100 mil”. Começou a vender 200 mil por mês, chegou a 1 milhão de cópias. O Rouge salvou a empresa e meu emprego. Literalmente, quando todo mundo já me via como morto…
Dizem que a música certa pode transformar tudo na carreira de um artista, de uma gravadora, e até a vida das pessoas. É o poder de transformação que ela ganha quando se torna hit. E foi um grande hit. No ano passado as rouges voltaram. Seguem lotando shows pelo país.
E pra relembrar esse mega hit, vamos som em questão...


Por 

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Início de uma nova caminhada!!

E hoje inicia um novo projeto em www.pontodosdjs.com.br, PROJETO MEGAMIX sempre trazendo um DJ convidado, e nesse primeiro programa o DJ da vez é Paulinho Fuentes...
Então prepare-se, logo mais às 17hrs tem PROJETO MEGAMIX...

sábado, 1 de julho de 2017

Sony volta a fabricar vinil após trinta anos

Se você faz parte do grupo que defende os discos de vinil, com certeza a notícia de hoje vai agradar.
De acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira (29), a Sony retomará a produção de vinil por conta da alta demanda pela compra dos discos.
Depois de três décadas, a gigante da tecnologia irá utilizar uma fábrica no sudoeste de Tóquio a partir de março de 2018 para a produção.
O movimento da companhia tem como objetivo acompanhar o mercado, que tem previsão de atingir US$ 1 bilhão em vendas em todo o mundo neste ano.
Curiosamente, a Sony foi uma das principais empresas responsáveis para a redução dos discos originais, tendo gastado uma enorme quantidade de dinheiro em pesquisa e desenvolvimento do Walkman e dos discos compactos que substituíram, em grande parte, o vinil nas décadas de 1980 e 1990.
Mas como a nova geração começou a valorizar a música física na era do mp3 e serviços de streaming, muitas gravadoras começaram a pressionar cada vez a produção dos discos, principalmente por conta da rentabilidade de vendas.
Agora, será que a Sony Music Brasil acompanhará a matriz?? Torço para que sim!!

Fonte: The Guardian

terça-feira, 30 de maio de 2017

DJ André Motta - Megamix 0013 - Curtidores do Vinil

DJ ANDRÉ MOTTA - MEGAMIX 0013 - CURTIDORES DO VINIL

Hoje trago pra galera que curte boa música, uma session especial que foi ao ar no dia 27-03-2016 e esse programa é muito a cara dos anos 90... 

Set List:

01-Work To The Bone
02-Sunshine '89
03-Good Life
04-Use It Up And Wear It Out
05-Pump Up The Jam
06-Rockin' Over The Beat
07-Do You Want Me
08-Everybody Get Up
09-Shake Your Head
10-Show Me Love
11-Makin' Happy
12-Now That We Found Love
13-Finally
14-Radio Blá... Blá Blá Bla Eu Te Amo

quinta-feira, 11 de maio de 2017

DJ André Motta - Megamix 0012 - Curtidores do Vinil

DJ ANDRÉ MOTTA - MEGAMIX 0012 - CURTIDORES DO VINIL

Esse super programa de uma hora de duração eu trouxe uma session de Euro Dance e outra com muitas balas dos anos 90....

Set List:

01-Look Who's Talking!
02-Santa Maria
03-Where Is My Man '94
04-Heart Of Glass
05-Haddaway Megamix
06-Warrior
07-Everyday
08-Don't Miss The Partyline
09-Oh L'amour
10-Bizarre Love Triangle
11-Everybody Get Up
12-Así Me Gusta A Mi
13-Do The Bartman

Conhecido pelo hit 'Children', DJ Robert Miles morre aos 47 anos

Produtor musical italiano perdeu luta de 9 meses contra um câncer

O DJ italiano Robert Miles, conhecido pela música "Children" (clique no vídeo ao final da matéria), faleceu aos 47 anos vítima de um câncer, anunciou nesta quarta-feira a radio virtual que o produtor fundou na Espanha.
"Robert morreu, em paz, na noite passada após uma luta corajosa nos últimos nove meses contra um câncer metastático de grau 4", informou em sua página do Facebook a OpenLab, rádio em FM nas ilhas de Ibiza e Formentera, no arquipélago da Baleares. "Ao longo de tudo ele foi forte, determinado, incrivelmente corajoso e fez tudo que poderia para lutar contra esta doença horrível", completa o texto.
A OpenLab não informa o local da morte, mas a imprensa espanhola indicou que o DJ faleceu em Ibiza, onde morava.
O produtor e compositor italiano, que se chamava Roberto Concina, iniciou a carreira em discotecas e rádios do norte da Itália. Fez muito sucesso nos anos 1990, em particular com o hit "Children", de 1994.
O single "Trance Shapes" fez parte da trilha sonora do filme "A Identidade Bourne" (2002), primeiro da franquia sobre o agente secreto interpretado pelo astro Matt Damon.

Fonte: O Globo (RJ)


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Vanilla Ice - Ice Ice Baby (Radio Mix)

VANILLA ICE - ICE ICE BABY (RADIO MIX)

O Hip Hop "Ice Ice Baby" foi escrita pelo rapper americano Vanilla Ice e DJ Earthquake com base na linha de baixo de "Under Pressure" de Queen e David Bowie, que inicialmente não receberam créditos de composição ou royalties até que ele se tornou um hit.
Originalmente lançado no álbum de estreia de Vanilla Ice em 1989, Hooked e em 1990, no álbum To The Extreme, se tornou a canção mais conhecida. Ela apareceu em forma remixada em Platinum Underground e Vanilla Ice Is Back! Uma versão ao vivo aparece no álbum Extremely Live, enquanto uma versão de rap rock aparece no álbum Hard to Swallow , sob o título "Too Cold".
"Ice Ice Baby" foi inicialmente lançado como o lado B de Vanilla Ice capa de "Play That Funky Music", mas o single não foi inicialmente bem sucedido.
Quando o DJ David Morales tocou "Ice Ice Baby", ela começou a ganhar sucesso.
"Ice Ice Baby" foi o primeiro single de hip hop no topo da Billboard Hot 100.
Fora dos Estados Unidos, a canção superou as paradas na Austrália, Bélgica, Holanda, Nova Zelândia, República da Irlanda e Reino Unido, ajudando a música a diversificar o hip hop, introduzindo-a em uma platéia popular.
A música ficou em quinto lugar na VH1 e na lista de 2004 do Blender das "50 músicas mais famosas de sempre".

Single lançado pela SBK USA - 1990

Biquini Cavadão - Chove Chuva

BIQUINI CAVADÃO - CHOVE CHUVA

Lançada por Jorge Ben em 1963 no álbum Samba Esquema Novo, "Chove Chuva" tem algumas boas regravações, Walter Wanderley em 1964, Mirian Makeba em 1966, Sérgio Mendes em 1967, Neguinho da Beija-Flor em 1990, Daúde em 1995, Elza Soares em 1999, Jair Rodrigues em 2000 e a mais emblemática pra galera que curtiu o bom e velho rock nacional nos anos 80/90, a versão de Biquini Cavadão em 1994.

Single lançado pela Sony Music.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

DJ André Motta - Megamix 0010 - Curtidores do Vinil

DJ ANDRÉ MOTTA - MEGAMIX 0010 - CURTIDORES DO VINIL

Nesta edição do Megamix eu trouxe um pouco de sons dos anos 70, 80, 90, 2000 e algumas atualidades...
Ficou bem legal...

Setlist:

01-2 Eivissa - Move Your Body (Tu Tu Tu Tu Ta, Oh La)
02-Anonymous - Cat And Mouse
03-Zhu - Faded
04-DM - Behind The Whell
05-OneRepublic - Counting Stars
06-Nightcrawlers - Push The Feeling On 2003
07-Earth, Wind And Fire - September
08-MJ - Love Never Felt So Good
09-Bruno Mars - Uptown Funk
10-New Order - The Perfect Kiss
11-Alcazar - Sexual Guarantee
12-The Voice In Fashion - Give Me Your Love (Remix)
13-Clean Bandit - Real Love
14- Will To Power - Dreamin'

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

DJ André Motta - Megamix 0009 - Curtidores do Vinil

DJ ANDRÉ MOTTA - MEGAMIX 0009 - CURTIDORES DO VINIL

Pra quem acompanhou essa edição curtiu sons dos anos 90, sendo a primeira parte com sons dos início da década e a segunda parte volta pro Euro Dance.
Aumente o volume e divirta-se!

01-Le Roy - Standing On A Boat
02-Lee Marrow Feat. Charme - I Want Your Love
03-Ce Ce Peniston - Finally
04-M. People - One Night In Heaven
05-Jamiroquai - Space Cowboy
06-Clubhouse - Deep In My Heart
07-ATB - 9 PM
08-Whitney Houston - I'ts Not Right But It's Okay
09-Gigi D'Agostino - Bla Bla Bla
10-Gabri Ponte - Time To Rock
11-S.M.S. - Just A Bit Of Chaos
12-The Smiths - Heaven Know I'm Miserable Now

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

DJ André Motta - Megamix 0008 - Curtidores do Vinil

DJ ANDRÉ MOTTA - MEGAMIX 0008 - CURTIDORES DO VINIL

Nessa edição, trouxe uma seleção muito bacana de Euro Dance dos anos 90 e muitas canções que marcaram época... 

01-Ice Mc - Think About The Way
02- Corona - Baby Baby
03-Double You - Because I'm Loving You
04-Betty Boo - Where Are You Baby
05-Le Click - Tonight Is The Night
06-Martine - Tough Girl
07-2 Brothers On The 4th Floor - Dreams
08-Culture Beat - Mr. Vain
09-Pet Shop Boys - Where The Streets Have No Name (I Can Take My Eyes Of You)
10-Yazz - The Only Way Is Up
11-Erasure - Star
12-KC And The Sunshine Band - Give It Up
13-Oingo Boingo - Just Another Day

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

DJ André Motta - Megamix 0005 - Curtidores do Vinil

DJ ANDRÉ MOTTA - MEGAMIX 0005 - CURTIDORES DO VINIL

Alooo galerinha que curte boa música... Hoje, volto com as postagens à todo vapor, e nessa postagem, trago o programa Megamix número 0005...
Não deixe de acessar www.curtidoresdovinil.com.br e ouvir o Megamix todas as quartas e sábados, fora nossa programação de muito eclética e bem selecionada.

Set List:

01-Upside Down
02-More Than A Woman
03-Rock Your Baby
04-Tarzan Boy
05-The Safety Dance
06-Somebody Else's Guy
07-Keep On Movin'
08-Get Serious
09-Boy (Why You Wanna Make Me Blue)
10-Gypsy Woman (She's Homeless)
11-Symphony
12-Remember The Time
13-Into The Groove
14-Pandora's Box
15-Blame It On The Samba

terça-feira, 6 de setembro de 2016

DJ André Motta - Megamix 0004 - Curtidores do Vinil

DJ ANDRÉ MOTTA - MEGAMIX 0004 - CURTIDORES DO VINIL

Continuando com as postagens dos programas Megamix, apresentados na web radio www.curtidoresdovinil.com.br, hoje trago o quarto programa que começa com um big clássico das pistas nos anos 90, Paid In Full de Eric B. & Rakin...
Aumente o volume e relembre grandes músicas...

01-Paid In Full
02-Blame It On The Rain
03-Summertime
04-Don't Look Any Furter
05-Easy
06-I'm A Ho
07-DJ Innovator
08-Missing
09-Vidas Nuevas
10-Voo Doo Believe
11-Megamix (Shakira)
12-Beautiful Ones
13-What Is Love

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

DJ André Motta - Megamix 0003 - Curtidores do Vinil

DJ ANDRÉ MOTTA - MEGAMIX 0003 - CURTIDORES DO VINIL

Hoje trago o terceiro programa da série Megamix na web rádio Curtidores do Vinil, e pra galera que curte a boa música dos anos 80 e 90, fique à vontade pra baixar e ouvir de novo...

Set List:

01-In-Dex - Now You're Gone
02-Information Society - Come With Me
03-Noel - Out Of Time
04-Donna Marie - Runnaway Love
05-London Exchange - Memories Of You
06-Tony Garcia Feat. Reinald-O - Another Night
07-Bryan Loren - Lollipop Luv
08-Lina Santiago - Feel So Good
09-DJ Tragic - Show Me Your Face
10-David Morales & The Bad Yard Club - In De Guetto
11-Déja - Whatcha Gonna Do
12-Laura Martinez - Ritmo Latino
13-Jocelyn Enriquez - Do You Miss Me